Em pé sobre oa rochedos, ela imaginava como seria voar. A brisa que vinha do mar agitava suavemente seus cabelos dourados e o sol, refletido nos olhos cor de cioleta, dava-lhes um specto tão magnífico que nem o maior mestre da pintura seria capaz de reproduzir. Sentia-se como um pássaro em uma gaiola dourada: a alma livre, presa no corpo, queria voar para o infinito. O que havia além do horizonte? Será que alguém estaria à sua espera? Sabia que por ser rebelde, o que queria para sua vida não se encontrava em sua época. Também sabia que jamais seria feliz seguindo as regras de comportamento que lhe eram impostas. Aproximou-se mais da beira do penhasco, enfrentando o perigo. precisava de desafios, emoções, liberdade! Pensou em seu pai e sobre a converva que tiveram na noite anterios. ela ia casar-se com o filho de Lord Edward, aquele esnobe insuportável que a olhava como se fosse uma égua parideira. A jovem não o amava e tinha certeza de que aquele casamento não daria certo. Mas tinha que aceitá-lo: era sua obrigação, era seu destino. Respirou fundo, sentindo o ar encher seus pulmões com o perfume de outras terras. E se ela voasse? Por uma fração de segundo teve vontade de experimentar... Mas recuou. Um dia tudo vai mudar e não serei mais obrigada a fazer o que não quero. Um dia eu vou amar e ser amada e não precisarei imaginar como seria voar, porque minha alma será livre - pensou, encarando o abismo de modo desafiador. - Pode demorar o tempo que for; o homem que espero vai me encontrar. quando isso acontecer, eu o reconhecerei e saberei que ele é meu e eu dele. Virou de costas para o mar e caminhou de volta para casa. Ainda que demora mais de um século, eu vou ser feliz! - prometeu a si mesma.
Sem saber, ela acertara com incrível precisão: realmente demoraria mais de um século até que o verdadeiro amor chegasse em sua vida...
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