O homem se mexia rapidamente, sem fazer ruídos. Abriu a porta da casa com a chave que tinha roubado horas antes e entrou ligeiro, certificando-se de que ninguém o tinha visto. Ao passar pela sala, viu o jovem adormecido no sofá e sorriu com desprezo. Subiu as escadas e verificou que a mulher estava em sono profundo, assim como o outro no andar de baixo. Puxou as cobertas e despiu-a. Ela não se mexeu, nem deu mostras de perceber a presença do invasor. Ele tirou sua camisola e calcinha, jogou em um canto do quarto e pegou a faca. Cobriu o rosto com uma máscara para evitar que o sangue o atingisse e começou seu trabalho. Esfaqueou a mulher várias vezes, até ter certeza de que ela estava morta. Durante todo aquele tempo, ela só gemeu uma vez. O sedativo era mesmo poderoso.
Em um canto do mesmo quarto, uma adolescente que ele não podia ver, assistia à cena com a expressão triste. Esperava que ele não tivesse coragem de fazer aquilo, que voltasse atrás no último momento, mas não. Ele não ouvira sua consciência, nem as mensagens que ela inúmeras vezes lhe soprara ao ouvido. Agora era tarde demais. Seu gesto desencadearia toda uma sequência de eventos trágicos e caberia a ela conduzir os envolvidos até uma solução. Era impossível prever onde aquele episódio terminaria, mas a jovem sabia que o amor sincero de algumas pessoas e o compromisso com a justiça seriam seus grandes aliados. Na verdade, uma coisa ela aprendera em seus milênios de existência: o amor é sempre o principal guia em qualquer circunstância e o grande vitorioso em todas as batalhas. Ela desapareceu suavemente, deixando o homem se que preparava para fugir. Longe dali, Robert dormia em paz, enlaçado ao corpo nu da esposa ignorando que, em breve, estaria diante do maior desafio de sua vida.
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