LAÇOS DO PASSADO


PRÓLOGO

Por que agi assim, meu Deus? Por quê? - torturava-se o homem, seu rosto coberto pelas mãos trêmulas. - A culpa é minha. Mereço cada segundo desse inferno em que se transformou minha vida!
Sentado em seu escritório, ele olhava as jóias que cintilavam à sua frente, sabendo que elas jamais seriam usadas pela mulher para quem haviam sido especialmente confeccionadas. Apertou as gemas preciosas em desespero, como se de alguma forma elas pudessem, em sua beleza e brilho, aliviar-lhe a dor.
Ele era vigoroso e belo. Em poucos anos tinha conseguido amealhar uma fortuna capaz de causar inveja aos mais poderosos industriais de sua época. Construíra uma casa que mais parecia um castelo, contudo, trocaria tudo isso e até alguns anos de vida para ter novamente em seus braçosaquela que, por sua própria culpa, jamais voltaria a encontrar.
Pensando na frieza e angústia e que sua vida se resumira, no escárnio e no ódio nos olhos da esposa, seu coração voou ao encontro dos tempos em que tudo era diferente. Lembrou-se dela, a mulher dos cachos dourados e sedosos e de olhos azuis brilhantes que, por um breve momento, fora o sol de sua existência.
Era preciso fazer algo, mas o quê? Ainda que voltasse a vê-la, Charles não teria coragem de olhá-la de frente. Não se sentia mais digno disso. Era um covarde, era um mentiroso eela, a seus olhos, era a perfeição. 
Nos braços daquela mulher Charles conhecera o amor, o prazer, a paz. Ela havia sido sua chance de felicidade e estava perdida para sempre.
Que Deus me ajude a suportar minha consciência, porque agora nada mais me resta a não ser esperar pela morte - escrevia ele em seu diário, quando foi interrompido por batidas na porta do escritório.
Ao ver o homem entrar, seu coração disparou. 
Notícias, finalmente! - pensou.
Com o coração apertado, charles ouviu o relato do recém-chegado. A situação era pior do que imaginara. A grande vítima de tudo aquilo, sua grande amada, pagava por um erro que não cometera.
Tenho que fazer alguma coisa. Não posso permitir que ela sofra assim!
Depois de pagar o homem e dispensá-lo, olhando o diamante que cintilava à sua frente, decidiu-se: Vou mudar o curso desta tragédia.
Pegou as luvas e o casaco e saiu em silêncio. Passou pela esposa que bordava em frente à lareira, mas ela sequer o olhou. Isso era um alívio dadas as circunstâncias.

Foram incontáveis pedidos até que Jonathan finalmente decidiu ajudá-lo. O homem fizera muitas exigências e Charles as aceitou sem titubear. Ele pagaria qualquer preço, viraria o mundo ao avesso se necessário, mas seguiria com seu plano até o fim. Não se curvaria ao peso do detsino. Sabia que seu plano era arriscado, mas nada disso importava. Só lhe interessava o bem estar daquela que, para sempre, seria a dona de seu coração.

 
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