Parada sentindo a arma ainda fumegando nas mãos, a mulher olhava pensativa para o homem que acabara de matar. Essa era a pior parte do modo que escolhera para viver. Ela detestava assassinatos, achava-os brutais, sem refinamento, atos que não exigiam inteligência especial, apenas sangue frio e coragem - qualidades que, a bem da verdade, não lhe faltavam. Tirou o silenciador da arma e guardou tudo em sua bolsa. Foi quando notou a mancha vermelha na manga do blazer caro e murmurou um palavrão enquanto lamentava ter que se desfazer daquela peça. Saiu do hotel caminhando sob a forte chuva que cobria Paris e jogou o casaco num camihão de lixo que passava. Pegou o primeiro táxi que viu e partiu rumo ao aeroporto Charles DeGaulle, de onde seu vôo para roma partiria em duas horas. Pensou no noivo que a aaguardava e no quanto aquele compromisso significava em sua vida. Sorriu ao lembrar-se da última noite que haviam passado juntos antes de sua viagem para França há uma semana. Ele era forte, viril e experiente. Sabia agradar uma mulher, sabia arrancar dela sensações e prazeres com muita habilidade, mas não era o tipo de homem que lhe agradava. Se ela o amasse iria ensiná-lo como gostava de ser tratada na cama, mas não era o caso. A relação com ele não passava de negócios. Preferia deixá-lo pensar que era o máximo enquanto estava com ela. Os homens - ela aprendera muito cedo - sofrem um insegurança crônica sobre sua performance com uma mulher e ela sabia muito bem como convencê-los de que eram os melhores do mundo. Seus planos em relação ao futuro eram claros e definidos. Nada acontecia em sua vida que ela não hovesse friamente planejado antes. Sentia-se senhora do destino e achava-se imbatível em matéria de sedução. A natureza a presenteara com um corpo perfeito e uma belexa digna de qualquer capa de revista. Ao longo do tempo, aprendera que tais atributos físicos poderiam ser muito úteis e não sentia o menos pudor em usá-los. Graças à sua beleza, inteligência e poder de sedução, tornara-se extremamente poderosa. Enquanto tomava um café no aeroporto seu telefone tocou, informando-a que precisaria ir ao México dentro de poucos dias. A notícia fez seus profundos olhos azuis brilharem com lascívia. Ela sabia que logo estaria no braços do único homem a quem realmente se entregava por prazer. Aquela viagem também significava que os negócios haviam sido concluídos com sucesso e que sua fortuna aumentaria em muitos milhões. O que ela não sabia, porém, é que nem sempre os desígnios do destino coincidem com a vontade dos mortais. Um suicídio ocorrido muitos anos antes, uma casa a ser restaurada e a presença d euma jovem refinada varreriam de sua vida, de forma implacável, todos os planos tão cuidadosamente traçados.
Longe dali, um homem olhava com satisfação o contrato em suas mãos. Ele sentia que o grande sonho de sua vida se tornava realidade. contudo, nem em seus maiores devaneios ele seria capaz de imaginar que, dentro de muito pouco tempo, a força de um amor lançaria sua vida em uma aterradora teia de crimes e mistérios.
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